Crônicas

A Rosa Vermelha

A Rosa Vermelha

  Num bairro elegante da cidade moravam o Dr. Monteiro com sua mulher e três filhos. Eles eram admirados na vizinhança e na igreja pela família perfeita – educados e gentis. Dr. Monteiro era Diretor executivo de uma grande instituição. Ele tinha tudo para que seu lar fosse, assim, feliz. Porém, o conflito e brigas em sua casa não eram tão raros assim, e gravíssimas! Invariavelmente os desentendimentos giravam em torno do ciúme excessivo com sua mulher. Para acumular ainda mais um grande mal estar na família, os furtos pelo filho mais velho já fizeram a família perder um apartamento, um carro de luxo e um jet ski além de outras pequenas quantias para pagar dívidas. Pior: ele já havia se envolvido em um latrocínio no posto de gasolina da cidade. Jurava que não tinha feito o disparo que matou o frentista do posto de gasolina. Entretanto, a perícia descobriu que partiu dele os disparos. Dos três ele era o mais arredio, falava pouco, mas não debochava de quem ia a igreja. Criticava, zombava dos crentes, mas só por farra. Intimamente ele admirava os crentes pela fé e pelos preceitos bíblicos. Mas quando era advertido pelo seu pai, ele o contra-atacava com faca, tesoura… Não foram poucos os dias em que faltou pouco, muito pouco para sangrar o seu próprio pai quando este o ameaçava de tirar seu nome dos herdeiros se não parasse com aquelas dívidas. Dr. Monteiro também, por sua vez, não demonstrava muito carinho pela família. Com jeito duro e nada sensível, se dirigia aos filhos ou esposa com frases curtas, achando serem suficientes e conclusivas para cada assunto. Entretanto, se destacava pela sua elevada “generosidade para com os outros”. Não media limites nas contribuições financeiras para a igreja, instituições sociais da prefeitura e em outras instituições humanitárias. Num dos cultos do domingo a noite Dr. Monteiro chegou bem mais cedo para o culto, logo procurou um conselheiro para um desabafo. Cabisbaixo, voz inexpressiva e com expressão de grande amargura. Decidiu revelar o seu drama, e foi direto ao assunto: a esposa – há muitos anos – não o procurava para sexo. Isto me deixava enraivecido – disse. Apesar que ele foi superficial no seu drama de vida, havia um motivo pra isto: a sua esposa tinha um namorado bem mais novo que ele e ela “sumia” em alguns finais de semana. O impulso sexual dela tinha um destino. O conselheiro recitou alguns versículos bíblicos decorados, quase como um “play” de gravador e logo encerrou a conversa por que ele, o conselheiro, tinha que estar no ensaio do grupo de louvor. No trabalho da esposa do Dr. Monteiro já era costume entre colegas do departamento ver suas atitudes sensualizadas e roupas excessivamente insinuantes. Alguns colegas até faziam aposta para quem acertasse a cor da roupa íntima com os inquietos movimentos das pernas, embaixo da mesa de trabalho. Aposta que valia dinheiro entre os apostadores! Além do expediente, o amigo do Dr. Monteiro o informava o que ela fazia fora do ambiente de trabalho. (Era uma informação paga) O “amigo” o aconselhou a se separar; pedir o divórcio. E para convencê-lo definitivamente relatou o que aconteceu recentemente. Houve uma chuva de beijos da esposa dele com um professor com fisionomia de um adolescente, numa noite recente no...

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Grito ao amigo Chico

Grito ao amigo Chico

  Chicoooo! O que é isto? O que estou fazendo aqui? Não sei o que está acontecendo. Como vim parar aqui? É uma cratera? Estou num lugar muito estranho. Isto deve ser o inferno! Só pode ser… O calor é insuuuportável! Tem fogo por todos os lados! Não tem para onde me mover. Muita gente se contorcendo. Caramba! As mãos na cabeça… Muitos com as mãos na cabeça, se contorcendo, nos rostos só desespero. Um cara agora caiu de joelhos em minha frente. Por quê? Ele grita alto, muito alto! Acho que ninguém aí em cima está ouvindo. Ele grita palavras de arrependimento, parece que pede perdão. Perdão pra quem? Pra mim que não é. Deve ter aprontado alguma coisa pesada pra agir assim. Mas… E eu? O que eu fiz de errado? A última coisa que me lembro foi uma briga no bar do Zelão. Eu estava tomando uma cervejinha, de repente, aparece um cara xingando todos os palavrões. Ele me ameaçava, dizia que eu ia morrer. Num movimento rápido peguei a faca do bar que estava no balcão, consegui esfaqueá-lo. Ele não morreu. Ficou gemendo no chão, mas sei que não morreu. Foram quatros cortes profundos no rosto e outro no braço. Não deu pra matar, mas muito sangue correu no chão. No dia seguinte desta briga fui saber que ele era o marido da Martinha. Bem que você me avisou, amigo! Você me avisou muitas vezes que a Martinha era casada. Ela é uma policial linda, morena de cabelos curtos, quadris fartos… Eu estava perdidamente apaixonado. A minha paixão cegou a razão. Chico, o cara ajoelhado aqui na minha frente está berrando sem parar agora. Seu rosto está deformado. Ele grita chorando… Um grito estranho; grito mudo. Agora deu vontade de chorar junto com ele também. Eu queria que alguém me ouvisse e me explicasse que lugar é este. E o que estou fazendo aqui?? Aaah!… Estou me lembrando agora. No outro fim de semana, após aquela briga e naquele mesmo bar, eu estava bastante bêbado. Era madrugada e eu quase dormindo de bruços na mesa fria de metal sem toalha. A Martinha me puxava pelos braços para ir embora. Ela estava a serviço, fazendo ronda na rua. Mas eu queria a companhia das garrafas vazias. De repente ouvi alguns passos lentos atrás de mim. Um começo de discussão. Antes que eu me virasse, ouvi um estampido seco. Senti uma dor como se fosse ponta de ferro quente entrando na minha nuca. Depois daquele momento não me lembro de mais nada. Ah!… Agora sei! Foi nessa mesma hora que tudo acabou para mim. Aquela foi a minha hora, a minha morte! Que desgraça! Que fim de vida mais besta! E agora? Estou no inferno? No infeeerno?? Você acha que eu mereço isto? Você não imagina o tanto de pessoas que ainda gritam, berram e se contorcem aqui. Os gritos são mais apavorantes que ensurdecedores. É uma visão infernal! Acho que vou mudar de lugar… Mas, para onde? Tenho que encontrar algum lugar que não seja tão quente neste inferno. Se é que existe algum lugar assim aqui. Ou alguma coisa que refresque ao menos a minha língua. Talvez o toque de mão salvadora, tal como na história que ouvia do pastor na única vez que estive...

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A alma tem sede

A alma tem sede

  – Garçom, mais uma! Já passava das nove da noite. Na mesa do bar do Setor Comercial Sul, a poucos minutos da praça dos três poderes, um pequeno grupo de amigos conversam de tudo um pouco. Jorge, petista convicto, critica as medidas do presidente Collor e fala como se fosse um especialista em economia. Chegou a freqüentar a igreja Presbiteriana próximo da sua casa, mas logo desistiu. Ao lado dele com pernas insinuantes e sem esconder muita coisa, Sandra participa esporadicamente da conversa, mais sorrindo que falando. Seus olhos verdes dividiam as atenções de quem estava por perto. Coriolando o mais retraído, tímido confesso, normalmente com ares de funcionário público acomodado, votou no primeiro turno no Maluf e no segundo no Collor. Fuma o último cigarro do maço que logo amassa e pede uma cerveja. Sandra intervém: – Lando… Bebe essa por mim, tá? Estou indo nessa… Jorge tenta segurá-la pelo braço. – Só mais essa cervejinha, Sandra! Só mais um pouquinho, tá? – Mas tenho aula hoje. – diz já pegando os livros e cadernos em cima da mesa. Ele mostra o relógio para ela e freia sua pressa. – Aula? Que aula? Já foi! São quase 10, querida! Nem a última aula você pega mais. Se for este o motivo, já era! – Jorge, eu estou sem carro. Está ficando tarde… – Eu dou carona. (pisca sutilmente para ela) Fica me devendo esta gentileza, tá meu bem? Sandra consente com a cabeça e um sorriso mostra agradecimento. Se ajeita novamente na cadeira, mas reclama de si mesma pela perda das aulas. Jorge leva seu braço sobre os ombros de Sandra e fala quase sussurrando nos seus ouvidos: “Você não vai perder… Ainda quero o seu beijo hoje!” Coriolando vendo o sorriso disfarçado nos lábios de Sandra, entendeu que rolava mais que simples carona e tenta jogar água fria nos dois. – Ô Jorge! Você não é casa… Jorge interrompe e desconversa rapidamente. – Coriolando, por que você fez isto, meu amigo? – Isso? Isso o quê? Jorge se ajeita melhor na cadeira como quem conseguiu mudar o rumo da conversa. – Por que você votou no Collor, meu amigo? – Collor? Ôrra, meu! Não estou entendendo… – responde Coriolando com sotaque paulista bem carregado. Mesmo fazendo que não percebe a manobra, aceita o novo rumo do papo. – E eu tinha opção? Você acha que eu ia dar o meu voto para aquele barbudo comunista? – E quem falou que o Lula é comunista? O Maluf? Ou o Golbery? – fala rindo e em tom de gozação. Sandra entra simplória na conversa. – Eu votei no Collor por que acho ele um gato. Jorge balança a cabeça… – Este é o nosso Brasil! Um país entregue nas mãos da elite que só fala e não faz, e quando faz alguma coisa tem super faturamento de obras. E ainda tem gente (aponta para Sandra) que se ilude com aparências. Pobre povinho brasileiro! – Esse é o discurso de comuna que quer o poder. Todos são iguais, Jorge! Basta estar no poder.  – profetiza Coriolando. Jorge olha nos olhos da Sandra, acaricia seu joelho e diz insinuante para ela: – Vamos? – E a sua mulher? Coriolando ouvindo a pergunta de Sandra dá uma gargalhada solta. Jorge se...

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Quero de presente um trenó quebrado

Quero de presente um trenó quebrado

    Neste Natal quero de presente um trenó quebrado, posto que a inverdade escondeu-se na ausência; presente bem ausente que, cinicamente, me obriga a crer. Neste Natal quero a pureza e o sorriso presentes. Estas, sim, não se escondem. Verdades simples. Com elas faço fluir o melhor de mim e não me desfaço em lágrimas. E que jorre hilaridades! Inundo-me de prazer ao zombar das pedras. Dou abraços, muitos abraços aos que se entregam acalorados. Ah!… Um brinde aos encontros! Impeço os execráveis desencontros. Desnudo a minha sensibilidade e caminho com leves passos… Convido a polska para bailar. A verdade emoldura a festa! Não, não quero de presente um trenó, muito menos quebrado! Não me entrego por pouco… Nem para a mentira que se esconde… Faço-me presente na minha melhor verdade.   Autor do texto: JUDSON SANTOS   ATENÇÃO! Todos os direitos autorais reservados. Nenhuma parte das publicações neste site não pode ser reproduzida, armazenada ou transmitida de qualquer forma e por quaisquer meios sem a autorização prévia do...

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No princípio criou Deus a amizade

No princípio criou Deus a amizade

  No princípio criou Deus a amizade; depois o amor. A amizade principia com gestos gentis, acenos efusivos, palavras de “bem-vindos”, encontros, reencontros, abraços, churrasquinho com a galera no quintal de casa, velhas piadas que fazem os motivos para novas gargalhadas. A amizade conversa qualquer coisa, em qualquer lugar. Caminha junto como se a única preocupação no mundo é o não se distanciar. Amigos recentes são apenas promessas… Amigos antigos têm o sabor da permanência. Amigos não se distanciam pelo esquecimento, não se perdem no tempo, não se desmoronam na indiferença, não se esvaziam. Quando Milton canta “amigo é coisa pra se guardar” propõe aconchego e proteção. Amigos de verdade são guardados sim, dentro do peito e se perpetuam na memória dos sentimentos. O amor não é maior nem melhor que a amizade, apenas a continuação de quem é imprescindível. A amizade pavimenta a estrada; o amor é chegada. A amizade dá o chão; o amor dá asas. A amizade constrói a segurança; o amor desperta sensibilidades. A amizade é conjunção; o amor é junção. A amizade é liberdade; o amor é voluntária prisão. O amor agradece a generosidade da amizade que fez do seu passado um valioso presente.   Autor do texto:  JUDSON SANTOS   ATENÇÃO! Todos os direitos autorais reservados. Nenhuma parte das publicações neste site não pode ser reproduzida, armazenada ou transmitida de qualquer forma e por quaisquer meios sem a autorização prévia do...

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Carta para a minha primeira netinha Lara

Carta para a minha primeira netinha Lara

  Larinha, Deixe a sua mãozinha segurar a minha mão… Assim… Vovô está com frio! As suas mãozinhas estão quentinhas; vão me aquecer. Ontem fui imensamente feliz ao ver você vindo ao mundo. Hoje a felicidade já não cabe mais em mim, tudo por que peguei você no colo. Que olhos lindos, rostinho delicado, você dorme o soninho de quem nasceu para ser linda. Faz 1 dia que você nasceu! Bem que podia ter um bolo de aniversário. Mas, eu cantaria os parabéns pra você e também para todos nós por que você existe. Larinha, já imagino você crescendo, sorrindo fácil, correndo livre, vida de criança feliz. Escute só… (Lá vem o vovô preocupadão) Eu me preocupo quando você estiver grandinha, daqui uns anos… Sabia? Hoje você é uma pititica charutinha enroladinha nestas mantas. Linda! Mas você vai crescer, e se tornar uma linda moça, vai despertar o ciuminho protetor do vovô, da vovó, do papai, da mamãe, dos tios, dos primos, de todo mundo! Cuidado! Não quero que você se machuque! Veja só a preocupação do vovô babão.  Não liga, não!… Logo meus pensamentos me levam a abrir meus braços e atrair você para um lugar bem mais seguro – o meu abraço. Huuummm!… Que abraço “dotooooso”! Ah! Como eu queria você no meu colo todos os dias. E ainda segurando a minha mão! Eu sempre gostei de falar para o seu papai: cuidado para atravessar a rua! Cuidado com pessoas perigosas! Cuidado com objetos perigosos! O mesmo eu digo tudo isto pra você. Mas Deus vai cuidar de você. Deus cuida dos meus filhos, assim como vai cuidar de você, e de todos outros netinhos que virão – doces e eternas crianças. Você sabia que a sua titia Táta vai ser mamãe também? Pois é!!… O seu priminho João está vindo em setembro! Que legal! Você não imagina o quanto estou feliz com vocês. Muito! Espero ansioso o momento e pegar também seu priminho no colo. O meu melhor momento é encher vocês de beijos, abraços, atenção, conselhos e muito carinho. Eu já combinei com seu papai e mamãe: o primeiro a levar você e seu priminho João ao Zoológico é o vovô Judson! Combinado? E nada de desgrudar das minhas mãos! Ah!… Tudo bem… Tudo bem… Deixo vocês correrem. Rolem na grama… Brinquem… Dêem gargalhadas… Olhem lá a boca enorme do jacaré! Uuuuuhhh!… Que medo! Isto!… Façam cara de bravo para o leão. Conversem com os papagaios! Imitem o coça-coça dos macaquinhos metidos… kkkk… Vamos tomar um sorvete? Que tal de… Chocolate? Doce netinha Lara… Estude bastante! Se dedique, se permita crescer em todos os sentidos. A cada diploma ou alguma boa conquista, mande um beijo para o céu. E tudo o que fizer, faça com o coração, com todas as suas forças e com amor. Cultive a simplicidade de espírito. Cresça na inteligência. Mas nunca se esqueça de Deus! Ame a Deus sobre todas as coisas, acima da própria religião. Seja bem amiguinha íntima de Deus. Ele é amigo, pai criador, conselheiro protetor e nosso salvador. Somos eternos em Deus! Peça sempre a opinião de Deus em todas as suas decisões. Sempre!  Combinado? Ah!… Ame de coração o seu papai por que ele te ama muito! Muito mesmo! Ame a sua linda mamãe por que...

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O dia da quase morte do sentimento

O dia da quase morte do sentimento

    O Sentimento decide caminhar em busca do seu maior prazer. Caminha sozinho, passos sem pressa, contorna rochas, sobe e desce montanhas. Caminha e caminha durante horas à margem de um sinuoso rio. O rio inquieta-se com o solitário caminhante, e pergunta para quem caminha por tanto tempo ao seu lado sem esboçar nenhum sentimento. Pergunta onde ele queria chegar com aquele olhar sem fronteiras, mostrando tristeza. O Sentimento responde que seu caminhar tinha um destino, seu olhar também não era de tristeza. Apenas procurava o prazer em conhecer a Flor do Campo, e encontrar quem fazia parte dos sonhos de todas as noites. Mas os obstáculos são tantos que não tinha a certeza de chegar em seu destino. Ao ouvir o seu desejo que veio acompanhado de um profundo suspiro de desesperança, o rio continua a dizer: – Você está vendo o meu percurso? – Sim, estou… – responde o Sentimento. – Então… Eu mesmo faço o meu caminho. Isto se chama leito. Nele eu supero todos os obstáculos até chegar ao destino, que é o imenso oceano. Eu sempre chego ao destino por que aprendi a contornar os meus obstáculos. O Sentimento ouve no burburinho do rio a sua sabedoria. O som suave das águas são suficientes para fazê-lo refletir com profundidade os ensinamentos em como superar dificuldades. Após ouvir isto, ele caminha com mais motivação, decidido a superar também seus próprios obstáculos e encontrar o seu prazer de viver. Os dias se passaram… Ao descer uma grande montanha, o Sentimento chega numa planície. Avista ao longe um pequeno jardim. Olha ao derredor, sente o clima, sente o ambiente, sente o aroma das flores e pensa. Hum… É neste jardim que mora quem eu procuro. Grita: – Olá! Tem alguém aqui? Olá!… Nisto uma flor delicada, balançando vagarosamente suas pétalas ao vento, lança um olhar curioso para ver o inesperado visitante que novamente grita. – Olá!! Sem muito se importar com o visitante, a Flor do Campo mostra o balançar das pétalas bem diferente das demais flores. De tão linda, se destaca. – Qual é o seu nome? – insiste o Sentimento. – Você é a…? A Flor do Campo? – Sim? Sou a Flor do Campo… E você, quem é? –  Como você é linda! Do mesmo jeito dos meus sonhos! Bem assim, como nos meus sonhos! Linda! Maravilhosa! – Obrigada, moço! Responde com jeito de quem ouviu o óbvio. – Eu… Eu… Sou… Você pode me chamar de Sentimento. – Sentimento? Muito prazer, Sentimento! Lindo nome. – Flor…? – Sim? Flor do Campo. Este é o meu nome completo. – Ah!… Sim!… É você mesma! Olha… Eu vim de muito longe só para conhecê-la. Quero ter o prazer de conhecer as suas virtudes. A sua fama já está além das fronteiras de todos os reinos! – Famosa? Eu? – Você é a única flor de todos os reinos que canta divinamente para todas as crianças das aldeias todas as manhãs. Você é a única flor que também exala o cheiro de uma alma infantil! Suas pétalas são as mais lindas de todas as flores. O seu balançar tem suavidade, doçura, encanto! – Quem bom!… Isto é muito bom!! Obrigada novamente, Mas… Veio de tão longe! O que você quer de mim? Posso saber? O coração do...

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Amanhã pode ser tarde

Amanhã pode ser tarde

  Se você está com saudade de alguém, de alguém que está distante… Se a solidão está entre você e a sua saudade. Tente se aproximar! De alguma forma, faça algo que te leve para perto de quem está longe. Um gesto simples: ligue para esta pessoa! Tire a distância. Se desloque da solidão. A distância faz o vazio. A solidão te deixa no vazio. A distância pode ser necessária em casos de viagens a trabalho, estudar em outro país, morar em lugar distante de forma obrigatória devido as realidades diversas. Mas se você está com saudade, saudade do filho, saudade do amigo, saudade da amiga… Saudade do seu grande amor, ligue para ouvir a sua voz! Encurte esta distância. Mande e-mail dizendo você por inteiro. Entre no msn sem codificar em letras o que você vai dizer em extensas palavras. Converse o que diminue a dor. Fale ignorando a separação entre você e a pessoa tão querida! Mande uma carta. Isto mesmo! Naquele velho e bom jeito de dizer: escrevo estas mal traçadas linhas… Mas faça isto hoje! Amanhã pode ser tarde… Se você magoou alguém, falou palavras que feriram, palavras que machucaram a alma, os sentimentos e até a honra… Se aproxime desta pessoa com um olhar de reconciliação. Reconcilie. Peça perdão, se necessário. Não justifique seu erro. Erros não se justificam; erros são corrigidos. E a melhor forma de corrigir um erro é reconhecendo o erro, pedindo perdão, se posicionando na mais cristalina pureza de uma humildade sem máscaras. Peça perdão, sem medo de achar que está se humilhando. Peça perdão, sem medo de ser menor. Voce se torna maior e melhor quando está no espaço da sinceridade pura. Se aproxime! Se reconcilie! Mas… Faça isto hoje! Amanhã pode ser tarde… Se você estiver bravo com alguém, muito bravo mesmo e não vê que este alguém não sente ainda que errou, não percebeu a consciência do seu erro, não espere virtudes. Não espere virtudes de quem está insensibilizado em sua capacidade de sentir que o amor é maior do que a ira. Tome você a iniciativa e devolva o erro com um sorriso de paz. Não faça do erro o motivo da distância de quem precisa ser curado pelo seu amor. Perdoe. Abrace! Mas… Faça isto hoje. Por que amanhã pode ser tarde… Se você ama alguém, e esta pessoa não percebe o seu amor, tente dizer a ela a linguagem do amor com gestos simples, na sutileza do carinho e da afeição. Conte o seu amor com atitudes da elegância dos sentimentos! Cante o seu amor com a canção do bem querer sem querer a troca. Não barganhe. Dê! Amar é doar todo amor. Não desista de amar! Mas insista em acreditar que, de um gesto amável pode nascer a mais linda flor no jardim do seus passos. Se você ama alguém, lembre-se que amar também é sofrer. Um sofrer como sofre a mãe que dá a luz. Quem sofre por amor, dá a luz ao nobre sentimento: o próprio amor. Ame! Mas… Faça isto hoje. Por que amanhã pode ser tarde… Se você tem o desejo de orar, ore! Mas ore com fé, com inteireza de espírito no Espírito! Se você tem o desejo de orar, mesmo em plena madrugada, faça isto. É bem...

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Por que feliz ano novo?

Por que feliz ano novo?

  Final de ano é um derramar de felicidades para todos os lados. Os desejantes espalham felicidades para qualquer um que cruzar o caminho: “Ei! Feliz ano novo!” “Obrigado! Feliz ano novo pra você também!” Ahhh!… Como sou feliz dizendo para ser feliz para quem eu quero que seja feliz! Ahhh!… Como sou feliz dizendo para ser feliz quem não conheço e até para pessoas que não quero que sejam tão felizes! Faço do final do ano a síndrome da felicidade cinicamente plastificada. Final de ano, tempo de agendar felicidades! Que me perdoem os felizes do reveillon plastificado. Não! O ano não é feliz. Que me perdoem os desejantes de felicidades com data marcada. O ano não é novo. Não! O ano é apenas e tão somente tempo! O tempo é estéril. O tempo é estéril enquanto não existir fatos que fecundem significados. Sem fatos, não há sabor nem dissabor. Sem fatos não há felicidades, nem infelicidades. Melhor seria dizer ou desejar a alguém: seja feliz você nos fatos que hoje vive, seja feliz você nos próximos acontecimentos de sua vida! Adjetivar em “novo” algo que é, essencialmente contínuo é um absoluto contra-senso. Tudo começa pelo cruel preconceito chamar alguém de velho com apenas um ano de idade. Além disto, por que “novo” se o hoje é a continuação do ontem? Chamar o ano seguinte de novo é mostrar que ainda não entendeu a extensão da unicidade do tempo presente. O passado está no presente assim como o futuro também está no presente, e pela unicidade ontológica existencial da própria cronologia. Embora uno, o tempo é etéreo pela volatilidade da cronologia. O que é já foi, e o que há de ser, também se reduzirá em memória na história. Mas, a realidade tempo é indissociável! Indissociável, assim o tempo é. Uno, assim o tempo é. E se desenvolve na dinâmica do presente perene, imutável condição única no gerúndio sendo; sempre. Cada um faça-se feliz nos acontecimentos da vida e dentro do tempo agora.   Autor do texto: JUDSON SANTOS   ATENÇÃO! Todos os direitos autorais reservados. Nenhuma parte das publicações neste site não pode ser reproduzida, armazenada ou transmitida de qualquer forma e por quaisquer meios sem a autorização prévia do...

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Encontro quase fatal

Encontro quase fatal

      O relógio da igreja matriz marca quase seis da tarde. O entardecer, como sempre, é tranqüilo na pequena cidade do interior. Na saída da cidade, mesmo longe é fácil avistar a ponte com suas curvas ascendente e descendente bem acentuadas. Os pedestres nela caminham; sem pressa. Bem no meio da ponte, encostada no parapeito, está a Vida com um longo vestido branco claríssimo. Seu olhar é sereno ao ver o pôr do sol, como quem espera pelo novo dia. O olhar se mantém fixo no horizonte. O sorriso é suave e não percebe quem se aproxima sorrateiramente atrás de si. Vira-se num gesto rápido, não se assusta com a presença fétida da repentina intrusa. Vestido esvoaçante, esfarrapado, voz esganiçada e estridente, exalando um hálito insuportável, a Morte pergunta: – Que cara é esta? Assustada? Está com medo? Cheguei!… – Não seja prepotente! – responde a Vida desconsiderando a arrogante intromissão. A Morte insiste: – Acho que você não entendeu… EU! Ouça bem: EU cheguei! EU!… – Rodeando por trás, sem olhar frente a frente em seus olhos, acaricia com uma das unhas e de modo provocante o pescoço da Vida: – Eu não significo nada para você? – Já disse que você está chegando numa hora errada. O olhar agudo, frio, penetrante, a Morte avança agilmente a sua frente. Com os dedos em riste em seu rosto, esbraveja de forma desafiadora: – Quem é você pra me dizer a hora que eu devo chegar?… Quem é você para decidir quando e onde devo chegar? Ei! Você já se esqueceu?… Você já se esqueceu? Eu decido o seu fim. Eu decido a sua hora. E a sua hora chegou. Vamos! Vaaaaamos! – puxando a Vida pela roupa que desvencilha. – Me larga… Você fala demais! – E você é muito teimosa para o meu gosto. Vamos descer! A Vida se esquiva das mãos magras e frias. Quase cravando as unhas pontiagudas em seu braço, a Morte insiste: – Eu não subi para gastar meu tempo com você, Vida. – Morte, o seu péssimo temperamento mostra grande inveja. Você não pode ver ninguém vivendo em paz. Você morre de inveja do nascimento, do crescimento, do movimento da vida. – Que papinho besta! Ah! Ah! Ah! (a gargalhada estridente soa longe) Prefiro as violências das cidades; tem mais emoção. Violências são emocionantes! Até os humanos gastam horas apreciando o melhor cenário dos filmes. Os melhores filmes têm assassinatos, estupros, assaltos. Isto, sim, é que é chamar a atenção. Ninguém pára na frente da televisão para olhar o por do sol e de moro sereno como você faz, idiota! – As violências dos filmes são fantasias do entretenimento e não indicam necessariamente, a preferência de fatos desejados na vida de quem as assiste. – E as violências dos telejornais? – Esta curiosidade nos noticiários faz a consciência. A consciência faz a prevenção. Se ninguém disser que tem assaltos nas ruas, todos vão para as ruas desapercebidamente, sem tomar as devidas precauções. – Ô vidinha besta! Agora vai filosofar? É? Tá… Mas de qualquer jeito, de um modo trágico, na velhice ou num leito de hospital eu sou o destino de todos os humanos. Todos! – Mas isso é conseqüência dos erros lá do Jardim do Éden… – Ihhhh! Lá vem...

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