A Rosa Vermelha

  Num bairro elegante da cidade moravam o Dr. Monteiro com sua mulher e três filhos. Eles eram admirados na vizinhança e na igreja pela família perfeita – educados e gentis. Dr. Monteiro era Diretor executivo de uma grande instituição. Ele tinha tudo para que seu lar fosse, assim, feliz. Porém, o conflito e brigas em sua casa não eram tão raros assim, e gravíssimas! Invariavelmente os desentendimentos giravam em torno do ciúme excessivo com sua mulher. Para acumular ainda mais um grande mal estar na família, os furtos pelo filho mais velho já fizeram a família perder um apartamento, um carro de luxo e um jet ski além de outras pequenas quantias para pagar dívidas. Pior: ele já havia se envolvido em um latrocínio no posto de gasolina da cidade. Jurava que não...

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Grito ao amigo Chico

  Chicoooo! O que é isto? O que estou fazendo aqui? Não sei o que está acontecendo. Como vim parar aqui? É uma cratera? Estou num lugar muito estranho. Isto deve ser o inferno! Só pode ser… O calor é insuuuportável! Tem fogo por todos os lados! Não tem para onde me mover. Muita gente se contorcendo. Caramba! As mãos na cabeça… Muitos com as mãos na cabeça, se contorcendo, nos rostos só desespero. Um cara agora caiu de joelhos em minha frente. Por quê? Ele grita alto, muito alto! Acho que ninguém aí em cima está ouvindo. Ele grita palavras de arrependimento, parece que pede perdão. Perdão pra quem? Pra mim que não é. Deve ter aprontado alguma coisa pesada pra agir assim. Mas… E eu? O que eu fiz de errado? A...

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A alma tem sede

  – Garçom, mais uma! Já passava das nove da noite. Na mesa do bar do Setor Comercial Sul, a poucos minutos da praça dos três poderes, um pequeno grupo de amigos conversam de tudo um pouco. Jorge, petista convicto, critica as medidas do presidente Collor e fala como se fosse um especialista em economia. Chegou a freqüentar a igreja Presbiteriana próximo da sua casa, mas logo desistiu. Ao lado dele com pernas insinuantes e sem esconder muita coisa, Sandra participa esporadicamente da conversa, mais sorrindo que falando. Seus olhos verdes dividiam as atenções de quem estava por perto. Coriolando o mais retraído, tímido confesso, normalmente com ares de funcionário público acomodado, votou no primeiro turno no Maluf e no segundo no Collor. Fuma o último cigarro do maço que logo amassa e pede...

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Quero de presente um trenó quebrado

    Neste Natal quero de presente um trenó quebrado, posto que a inverdade escondeu-se na ausência; presente bem ausente que, cinicamente, me obriga a crer. Neste Natal quero a pureza e o sorriso presentes. Estas, sim, não se escondem. Verdades simples. Com elas faço fluir o melhor de mim e não me desfaço em lágrimas. E que jorre hilaridades! Inundo-me de prazer ao zombar das pedras. Dou abraços, muitos abraços aos que se entregam acalorados. Ah!… Um brinde aos encontros! Impeço os execráveis desencontros. Desnudo a minha sensibilidade e caminho com leves passos… Convido a polska para bailar. A verdade emoldura a festa! Não, não quero de presente um trenó, muito menos quebrado! Não me entrego por pouco… Nem para a mentira que se esconde… Faço-me presente na minha melhor verdade.   Autor...

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No princípio criou Deus a amizade

  No princípio criou Deus a amizade; depois o amor. A amizade principia com gestos gentis, acenos efusivos, palavras de “bem-vindos”, encontros, reencontros, abraços, churrasquinho com a galera no quintal de casa, velhas piadas que fazem os motivos para novas gargalhadas. A amizade conversa qualquer coisa, em qualquer lugar. Caminha junto como se a única preocupação no mundo é o não se distanciar. Amigos recentes são apenas promessas… Amigos antigos têm o sabor da permanência. Amigos não se distanciam pelo esquecimento, não se perdem no tempo, não se desmoronam na indiferença, não se esvaziam. Quando Milton canta “amigo é coisa pra se guardar” propõe aconchego e proteção. Amigos de verdade são guardados sim, dentro do peito e se perpetuam na memória dos sentimentos. O amor não é maior nem melhor que a amizade, apenas...

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Carta para a minha primeira netinha Lara

  Larinha, Deixe a sua mãozinha segurar a minha mão… Assim… Vovô está com frio! As suas mãozinhas estão quentinhas; vão me aquecer. Ontem fui imensamente feliz ao ver você vindo ao mundo. Hoje a felicidade já não cabe mais em mim, tudo por que peguei você no colo. Que olhos lindos, rostinho delicado, você dorme o soninho de quem nasceu para ser linda. Faz 1 dia que você nasceu! Bem que podia ter um bolo de aniversário. Mas, eu cantaria os parabéns pra você e também para todos nós por que você existe. Larinha, já imagino você crescendo, sorrindo fácil, correndo livre, vida de criança feliz. Escute só… (Lá vem o vovô preocupadão) Eu me preocupo quando você estiver grandinha, daqui uns anos… Sabia? Hoje você é uma pititica charutinha enroladinha nestas mantas....

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